A política exige coerência, lealdade e, acima de tudo, respeito às pessoas que confiaram em você. O que vimos nesta eleição, porém, foi exatamente o contrário.
O ex-prefeito de União dos Palmares, de forma oportunista e ingrata, abandonou seu partido, seu grupo político e os princípios que dizia defender para seguir aquilo que, naquele momento, parecia ser o caminho mais conveniente para seus interesses eleitorais.
No primeiro turno, deixou o cargo de secretário de governo e abandonou o grupo político ao qual pertencia para apoiar um candidato ao governo que aparecia em ascensão nas pesquisas.
Com os dois candidatos ao Senado, a história não foi diferente. Foi mudando de posição, trocando de apoio, até encontrar aqueles que, naquele momento, lideravam as pesquisas. Com os deputados, repetiu a mesma estratégia: mudou de lado algumas vezes até escolher aqueles que acreditava ter maiores chances de vitória. No fim, os dois deputados que receberam seu apoio perderam a eleição.
Seu candidato ao governo venceu a eleição em Alagoas, mas perdeu justamente em União dos Palmares, a cidade onde ele mora e que diz representar.
E agora veio o episódio mais emblemático.
Durante anos, sempre levantou a bandeira do presidente Lula. Um presidente que teve participação importante em políticas e programas que beneficiaram União dos Palmares, inclusive com a construção de cinco conjuntos habitacionais que marcaram a história da cidade.
Mas, diante do resultado do primeiro turno, mudou novamente de lado. Abandonou a bandeira que dizia defender, vestiu a camisa de Flávio Bolsonaro e apostou mais uma vez naquilo que parecia ser o caminho eleitoralmente mais conveniente.
Só que a população respondeu.
União dos Palmares respondeu. E o Brasil respondeu.
Lula foi eleito.
A eleição mostrou que o eleitor está cada vez mais atento. Não basta mudar de camisa conforme muda a pesquisa. Não basta abandonar companheiros quando o vento muda de direção. Política também é compromisso, história, lealdade e coerência.
E talvez a maior resposta tenha vindo justamente de União dos Palmares:
todos os candidatos apoiados por ele na cidade foram derrotados.
Isso não é apenas um resultado eleitoral. É um recado.
Quem passa a vida trocando de lado conforme as pesquisas apontam o vencedor pode até tentar ganhar uma eleição. Mas, na política, a memória do povo é muito maior do que uma eleição.
A vida política pode até ser longa, mas o espaço para o oportunismo é curto.
E a urna, mais uma vez, deu a resposta.
Kil de Freitas - Esqueceu que gratidão não se prescreve
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