04/01/2020 Por Ivan Nunes

JHC exagera na dose de egocentrismo e ganha carimbo #fake2020

Ele é o mais jovem, o mais ousado e, de longe, muito mais conectado que qualquer político alagoano, neste tempo de hiperconectividade.

Com sua jovialidade, João Henrique Caldas contagia a geração Z, como ninguém.

Sua ousadia colocou a Assembleia Legislativa de cabeça para baixo e, de primeiro suplente, (nas eleições de 2010) virou a voz do povo na, até então, Casa dos Escândalos.

Ps.: Para a garotada que não sabe, João Henrique Caldas não venceu a eleição para deputado estadual. Ele entrou no lugar de Almir Lira, que faleceu antes de tomar posse. E para o grande público, a radicalização com os colegas da época se deu por um “acerto não cumprido”. Magoado (e com razão, afinal o combinado não é caro), João Caldas (pai e mentor) colocou em prática seu grande plano de transformar o primogênito no grito de Alagoas, em Brasília. Caldas Pai foi o grito do campo, quando deputado estadual, e o grito de Alagoas, como federal. Vale destacar que foi um parlamentar acima da média e também era uma promessa, mas sucumbiu nas urnas e virou pós-doutor em articulação política, pelos sombrios corredores de Brasília.

Fenômeno

A juventude e ousadia, com discursos inflamados e um populismo refinado, transformou JHC no deputado federal mais votado do país, em 2018. Estratégico, não há como negar o êxito de seus mandatos na Câmara Federal.

O problema é que sua origem genética (para a política) não foi modificada e, assim como seus ancestrais – pai, mãe e avó – ele parece não ter o mesmo desempenho quando o assunto é comandar os destinos de um povo. Me entristece ter que citar aqui, mas todos os seus ancestrais tiveram problemas com a justiça quando comandaram a pequena Ibateguara, cidade-base do clã Caldas. Agora, JHC quer ser prefeito de Maceió.

Escorpião

Conheço os Caldas há muito tempo. Votei em pai e filho para federal e confesso que não me arrependi e que eles corresponderam. Mas o DNA genético de João Caldas, infelizmente, faz do filho um escorpião político. Depois de toda problemática envolvendo mais de 17 mil famílias residentes no Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto, eis que tudo parece se encaminhar para um final sem tragédia. Moradores e comerciantes com a garantia de indenização. Foi um trabalho lento, com praticamente nenhum engajamento político no início e a letargia da Prefeitura e do Governo do Estado. Quando o assunto virou notícia na Record TV (nacional) e no Fantástico, uma série de hospedeiros se alojaram nos bairros. Teve comício, trio-elétrico pelas ruas, audiências públicas, interdição de pista... o escambau.

Nesta sexta-feira, mais um capítulo chegou ao final, com o anúncio da Defensoria Pública do Estado (DPE), Ministério Público Estadual e Federal (MPE e MPF) e Defensoria Pública da União (DPU), dando conta do acordo firmado com a mineradora Braskem, para indenizar as famílias atingidas pelo afundamento de solo e risco de desabamento.

Se o resultado final não é o ideal, vale destacar o trabalho de dezenas de políticos, da Prefeitura de Maceió e dos governos estadual e federal. Foram letárgicos? SIM. Mas atuaram (antes tarde do que nunca e sem nenhuma morte). JHC, presidente da extemporânea Comissão Externa, criada Câmara Federal, atribuiu a ele, a vitória contra a Braskem. Da mesma forma que chama de sua a emenda com Marx Beltrão, de R$ 40 milhões, para a capital.

A nova política não precisa dos velhos costumes que nos levaram ao final da fila do desenvolvimento e de todas as políticas públicas. 

Se JHC seguir nesse caminho, logo-logo ganhará o carimbo #fake2020. 

Por Wadson Régis - editor-chefe do portal AL1

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